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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Vida e obra


Estima-se que a tradição biográfica de Virgílio vem de uma biografia perdida de autoria de Varius, editor de Virgílio, que foi incorporada na biografia feita por Suetônio e os comentários de Sérvio e Donato, os dois grandes comentadores da poesia de Virgílio. Embora os comentários sem dúvida registrem muitas informações factuais sobre Virgílio, pode-se mostrar que algumas das suas evidências confiavam na inferência feita a partir de sua poesia e alegorização. Portanto, a tradição biográfica de Virgílio continua a ser problemática.[1] A tradição diz que Virgílio nasceu na vila de Andes, perto de Mântua,[2] na Gália Cisalpina.[3] Estudiosos sugerem que descendia de etruscos, úmbrios ou até mesmo celtas, examinando os marcos linguísticos ou étnicos da região. A análise do seu nome deu origem às crenças de que descendendia dos primeiros colonizadores romanos. As especulações modernas, em última análise, não são apoiadas nem pela evidência narrativa nem por seus próprios escritos ou o de seus biógrafos tardios. Suposições etimológicas indicam que o seu cognome Maro tem anagramaticamente suas letras em comum com os temas de seu épico: amor e Roma. Macróbio diz que o pai de Virgílio era de uma família humilde, no entanto, os estudiosos em geral acreditam que Virgílio era de uma família de latifundiários equestres que puderam oferecer-lhe uma educação.

Amigo de Horácio, como ele protegido por Mecenas, entrou em contato com o imperador, de quem recebeu o incentivo para escrever a Eneida.

Admirador da cultura helênica, empreendeu uma viagem à Grécia, berço e viveiro da cultura, sonho que há muito acalentava: o destino concedeu-lhe a realização desse anseio, mas morreu no regresso, junto de Brindisi. O seu túmulo encontra-se em Nápoles.

A obra de Virgílio compreende, além de poemas menores, compostos na juventude, as Bucólicas ou Éclogas, em número de dez, em que reflete a influência do gênero pastoril criado por Teócrito.

As Geórgicas, dedicadas ao seu protetor Mecenas, constam de quatro livros, tratando da agricultura. Trata-se de uma obra de implicações políticas indiretas, embora bem definidas: ao fazer a apologia da vida do campo, o poeta serve o ideal político-social da dignificação da classe rural. Reflete a influência de Hesíodo e Lucrécio.

Literariamente, as Geórgicas são consideradas a sua obra mais perfeita. E finalmente, a Eneida, que o poeta considerou inacabada, a ponto de pedir, no leito de morte, que fosse queimada, constitui a epopéia nacional.

Esta refere-se à lenda do guerreiro Enéias, que, após a célebre guerra, teria fugido de Tróia , saqueada e incendiada, e chegado à Itália, onde se tornou o antepassado do povo romano. Epopéia erudita, a Eneida tem como objetivo dar aos romanos uma ascendência não-grega, formulando a cultura latina como original e não tributária da cultura helênica.

O poema consta de doze livros e a sua construção serviu de modelo definitivo às grandes epopéias do renascimento, nomeadamente para Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, o que se percebe claramente comparando o primeiro verso das duas epopéias:

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